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CASA FIAT DE CULTURA INAUGURA NOVA SEDE NA PRAÇA DA LIBERDADE, EM BELO HORIZONTE

[Eventos]

11/06/2014

A Casa Fiat de Cultura apresenta a exposição Barroco Itália Brasil – Prata e Ouro, que promove diálogo entre a arte que nasceu na Itália e floresceu em Minas Gerais

Foi inaugurada nesta segunda-feira, 9 de junho, a nova sede da Casa Fiat de Cultura em Belo Horizonte, Minas Gerais. A Casa Fiat de Cultura, que em seus oito anos de atividades conquistou o público com grandes realizações, alcançando mais de 600 mil visitantes, aceitou o convite de integrar o Circuito Cultural Praça da Liberdade, implantando novas instalações no simbólico Palácio dos Despachos. A novidade dá fôlego e vigor à programação cultural de Belo Horizonte em local de mais fácil acesso, em edifício que compõe o conjunto arquitetônico e histórico do Palácio da Liberdade. O público continuará a apreciar exposições inéditas de importantes coleções e acervos de museus do Brasil e do mundo, sempre com acesso gratuito. Para marcar a ocasião, a Casa Fiat de Cultura apresenta a exposição Barroco Itália Brasil – Prata e Ouro, que promove relevante diálogo entre a arte que nasceu na Itália e floresceu em Minas Gerais.

Após uma série de pesquisas e um intenso trabalho de especialistas sobre a melhor forma de manter a estrutura do edifício e aproveitar seu espaço, deu-se início às obras que transformaram o Palácio dos Despachos na atual sede da Casa Fiat de Cultura. Durante dois anos, profissionais técnicos, administrativos e operacionais, ligados às áreas de Engenharia, Arquitetura, Patrimônio, Urbanismo e Museologia, dedicaram-se ao desafio. Após o desenvolvimento e aprovação dos projetos, foram mais nove meses para a execução da obra, que envolveu mais de 100 profissionais em um  total de 104 mil horas trabalhadas. Na restauração das áreas tombadas foram empregados mão de obra especializada e materiais de alta qualidade nos 6 mil metros quadrados do espaço, que se divide em cinco pavimentos, sendo 1,4 mil metros quadrados destinados à área expositiva. 

“Tivemos uma parada estratégica de dois anos para planejar e executar as mudanças. Afastar-nos de nosso público nesse período foi penoso, mas acreditamos que a nova localização – privilegiada – vai valer a pena. Sem necessidade do difícil deslocamento até o Belvedere, todos poderão acompanhar nossas produções. A parceria com o Governo Estadual, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e do Circuito Cultural Praça da Liberdade, faz-nos conscientes de nossa responsabilidade de custódia de um bem público inestimável. Esse é o preço da prestigiosa localização, no centro histórico da cidade”, destaca o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira.

Em seu discurso de inauguração da nova sede, o presidente da Fiat Chrysler para a América Latina, Cledorvino Belini, destacou os laços que unem a Fiat a Minas Gerais, lembrando que a empresa começou a produzir em Betim em julho de 1976. “Esta forte relação emana do fato de que Fiat e Minas cresceram juntos. A presença de nossa empresa em Betim estimulou todo o tecido econômico e atraiu centenas de outras indústrias, consolidando uma forte cadeia produtiva local. Mas nossa presença transcende em muito o econômico. Nossa forte inserção na sociedade mineira repercute na vida cultural, esportiva e social”, afirmou. 

Em sua mensagem, o presidente mundial da Fiat Chrysler, Sergio Marchionne, valorizou a importância do apoio à cultura, afirmando: “ A cultura vence a desigualdade social e permite distinguir entre o bem e o mal. A cultura é um instrumento para crescer, para derrubar as barreiras geográficas, para cancelar as diferenças étnicas, políticas e religiosas”. E acrescentou: ”Num mundo que vai se tornando plano e sempre menor, o nosso futuro – e o futuro das gerações que virão – depende da capacidade de nos ouvirmos, de comungar nossas experiências, de trocar ideias e conhecimentos, de ampliar os próprios horizontes. Estes são os valores que permitiram à Fiat e à Chrysler construírem a sua nova identidade conjunta, fundada na abertura cultural e na integração. Estes são também os valores que guiam todas as nossas iniciativas de desenvolvimento no mundo”.

Novidades

O edifício que abriga a nova sede foi completamente revitalizado, com renovação e restauro das estruturas, dos acabamentos e de fachadas, pisos, louças e metais. Foram realizadas as impermeabilizações necessárias, além de instalação de gerador de energia, sistema de exaustão, novos sistemas hidráulicos e elétricos, elevadores e circuito fechado de TV. O ar-condicionado instalado utiliza gás ecológico em sua refrigeração e é especial para locais que abrigam obras de arte, com controle de climatização, em que a temperatura e umidade são acompanhados a cada mudança. Protegida da insolação por brise-soleil e tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG), a fachada foi recuperada, de modo a manter os elementos arquitetônicos originais do Palácio dos Despachos, com pastilhas cerâmicas. A parte frontal inferior teve revestimento de chapas de alumínio pintadas e houve substituição do toldo. O prédio, a fachada e os jardins ganharam também iluminação especial, em um projeto sustentável, com tecnologia em LED dimerizadas, que além de valorizar obras de arte e não agredi-las, não emite infravermelho ou ultravioleta nos fachos de luz e economizam 80% da energia gasta por uma lâmpada comum.

Internamente, o edifício recebeu uma área de reserva técnica. O espaço é importantíssimo para as grandes montagens realizadas pela instituição, pois auxilia a conservação e a movimentação dos acervos, ao resguardar a integridade física de obras delicadas, provenientes de diversas partes do mundo. A reserva técnica responde a todas as exigências internacionais e proporciona condições favoráveis à preservação de acervo, garantindo a segurança dos bens culturais sob responsabilidade da Casa Fiat de Cultura. A sala, de 160 metros quadrados, prevê excelência de preservação dos acervos, nos mesmos níveis da museologia internacional, e orientada por conservadores, museólogos e restauradores contratados para atuar junto à programação de exposições.

As instalações

A nova Casa Fiat de Cultura terá cinco pavimentos. O primeiro deles abriga o quadro “Civilização Mineira”, de Candido Portinari – que permanece sob responsabilidade da Casa Fiat de Cultura, após ter sido restaurado em 2013– e conta com bilheteria, chapelaria e uma sala de acolhimento para grupos do programa educativo. Esse espaço contempla ainda um café e uma livraria. A Reserva Técnica também está instalada neste pavimento. No 3º e no 4º andares, estão as duas grandes galerias que compõem a nova sede. Com 700 metros quadrados cada, as áreas foram totalmente adequadas às diretrizes museológicas de climatização, iluminação, segurança, incêndio e acessibilidade para receber as exposições e acervos de nível internacional. Elas contam com trilhos eletrificados modernos e versáteis, que possibilitam o controle das luminárias via computador, regulando a intensidade das luzes de acordo com a necessidade de cada exposição. 

As dependências da Casa Fiat de Cultura dispõem, também, de um andar dedicado à área administrativa da Instituição e salas multiuso para o Programa Educativo. Com o objetivo de atender a todos os públicos, as novas instalações contam com completa acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, com rampas de acesso removíveis, banheiros para pessoas com necessidades especiais e acesso especial em plataforma construída entre o 4º e o 5º pavimentos. 

O projeto de revitalização do Palácio dos Despachos é assinado pelos arquitetos Márcio França Baptista de Oliveira e Carolina Arantes e foi executado pelos engenheiros Gustavo Murgel Starling e Frederico Dayrell Dutra. Eles assumiram o desafio de realizar, no edifício, o processo de Retrofit, propondo modernos sistemas de automação, acessibilidade, recursos de iluminação e controle ambiental e tecnologia museológica de padrão internacional em um edifício tombado, sem comprometer características originais, para garantir a salvaguarda do patrimônio. 

A revitalização e a adequação do histórico prédio do Palácio dos Despachos são realizações da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, com patrocínio da Fiat Automóveis, com a parceria dos bancos Itaú, Bradesco, Safra e Santander, além do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG).

Restauro do quadro Civilização Mineira, de Candido Portinari

Após a execução de 16 etapas de trabalho e mais de 500 horas de pesquisa e minuciosa intervenção, a Casa Fiat de Cultura restaurou o painel “Civilização Mineira”, garantindo a salvaguarda desta obra de inominável valor simbólico e material para a cultura nacional – e, sobretudo, mineira. Representante do Modernismo no Brasil, Candido Portinari é considerado um dos maiores nomes da pintura brasileira do século XX. Maior quadro do pintor em Minas Gerais, com a medida de 2,34 X 8,14 metros, a obra restaurada representa a mudança da capital, de Ouro Preto para Belo Horizonte, em 12 de dezembro de 1897. 

Graças às pesquisas de especialistas da Oficina de Restauro, coordenados por Rosângela Reis Costa, foi descoberta uma novidade acerca do quadro nesta nova restauração. Após a remoção da moldura do painel para revisão da estrutura, percebeu-se que ela estava encoberta por duas camadas de tinta branca. Por baixo da tinta, deparou-se com madeira de lei frisada (jacarandá-baiano), a mesma usada nos acabamentos das escadas do edifício do Palácio dos Despachos. O pintor costumava manter os quadros apenas com uma borda pintada de branco, sem emolduramento. Com o aprofundamento das pesquisas, constatou-se que a madeira foi agregada à obra posteriormente. 

Para a reinstalação do painel, foi proposta sua fixação em um chassi de madeira, de forma a estabelecer um avanço em relação à parede e o rebaixamento da altura do quadro a 12 cm do teto, ações que propiciarão ganhos estéticos e conservativos à obra. A solução foi aprovada pelo IEPHA/MG e o público poderá apreciar a partir de agora no hall de entrada do edifício. 

O projeto de recuperação da obra de Portinari é uma iniciativa da Casa Fiat de Cultura, em parceria com Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (APPA), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) e Ministério da Cultura, com patrocínio da Fiat Automóveis.

O Palácio dos Despachos

Projetado pelo arquiteto Luciano Amedée Péret e construído pelo engenheiro Alberto Bouchardet Filho, o Palácio dos Despachos foi inaugurado em 24 de outubro de 1967 para abrigar as atividades administrativas do Governo do Estado de Minas Gerais, durante a gestão do Governador Israel Pinheiro. 

Devido à escassez de espaço, no Palácio da Liberdade, para acomodação de elevado número de pessoas, fez-se necessária a construção de novo edifício. A solução encontrada pelo Governo foi ocupar parte do pomar do Palácio para erguer a nova sede administrativa. No novo projeto, a Casa Fiat de Cultura preservou as árvores remanescentes, mangueiras centenárias que testemunham a história. 

O prédio integra o complexo do Palácio da Liberdade, que serviu de moradia aos governadores e suas famílias, do final do século XIX ao século XX. Durante décadas, o Palácio dos Despachos foi marcado por importantes atos e decisões governamentais. O presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira, relata que, no Palácio dos Despachos, o governador Pinheiro recebeu, em 1968, das mãos do economista Fernando Roquette Reis, o estudo “Diagnóstico da Economia Mineira”, que apontava a implantação da indústria automobilística como instrumento de transformação da então antiquada vida econômica de nosso Estado. “Mercê do respeito mútuo entre homens públicos, ainda que adversários políticos, tradição mineira, seu sucessor no governo, Rondon Pacheco, imbuído do espírito do ‘Diagnóstico”, assinou no terceiro andar do edifício, com Giovanni Agnelli, o “Acordo de Comunhão de Interesses” entre Minas Gerais e a Fiat para implantação do complexo industrial de Betim. Com a presença da Casa Fiat de Cultura a Fiat retorna à casa que  a viu nascer”, conclui.

Em 1977, o Conjunto do Palácio da Liberdade, que abrange o Palácio da Liberdade, o Palácio dos Despachos, a Capela de Santana e os jardins, onde estão contemplados a estufa, o lago e o quiosque, foi incluído no tombamento do “Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Praça da Liberdade” pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA.  Com a transferência da sede do Governo para a Cidade Administrativa, o Palácio dos Despachos e a Capela de Santana ficaram sob responsabilidade da Casa Fiat de Cultura, que passa, agora, a integrar o Circuito Cultural Praça da Liberdade. 

Capela de Santana

Localizada no pátio posterior ao prédio do antigo Palácio dos Despachos, a Capela de Santana também faz parte das dependências da Casa Fiat de Cultura. Foi construída no final dos anos 1950, por iniciativa da então primeira-dama do Estado, Francisca Tamm Bias Fortes, esposa do Governador José Francisco Bias Fortes, conhecida como Dona Queridinha.  A dedicação a Santana, como sua padroeira, se deve ao fato de que, nos remotos dias do Curral Del Rei, existira nas proximidades da atual Praça da Liberdade uma capela com a mesma invocação, cuja imagem, considerada milagrosa, foi conservada e passou a ser venerada em igreja construída no bairro da Serra, em 1931. A nova capela foi projetada pelo arquiteto Gilson de Paula e sua execução esteve a cargo dos engenheiros Afonso Ferreira de Castro e Arduino Comini Filho. 

Em 26 de julho de 1957, dia de Santana, foi lançada a pedra fundamental da nova capela, com a presença do presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, do Governador do Estado, José Francisco Bias Fortes, do Ministro da Educação, Clovis Salgado e de outras autoridades. A inauguração se deu em oito de dezembro de 1958, com uma grande solenidade que contou com a presença das autoridades citadas e de Dom Geraldo Maria de Morais Penido, representando o arcebispo metropolitano Dom Antonio dos Santos Cabral; Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Arcebispo de Mariana; Dom José de Medeiros Leite, Bispo de Oliveira e Dom Manuel Nunes Coelho, Bispo de Luz. Abrilhantaram a solenidade Guarda de Honra do Palácio e a Banda de Música do Batalhão de Guardas.

Incluída no patrimônio a ser zelado pela Casa Fiat de Cultura, a Capela de Santana terá, além de reativação como local de culto, a destinação de sediar concertos de música sacra.

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Barroco Itália Brasil – Prata e Ouro na Casa Fiat de Cultura

A suntuosidade da prata italiana e o esplendor do ouro brasileiro se encontram na exposição Barroco Itália Brasil – Prata e Ouro na Casa Fiat de Cultura, que marca a inauguração de sua nova sede no Circuito Cultural Praça da Liberdade. A mostra reúne 40 esculturas – sendo 20 em prata, provenientes de importantes museus e coleções da Itália, que apresenta ao público brasileiro a face luminosa da escultura barroca italiana do século XVII. Além disso, haverá outras 20 obras policromadas de grandes artistas do 

Barroco mineiro e brasileiro que traduzem a riqueza histórica e artística do período colonial.

Com curadoria italiana de Giorgio Leone e Rossella Vodret e brasileira de Angelo Oswaldo, foram selecionadas obras de artistas dos dois países, para que – numa mostra inédita, com esculturas peculiares nunca antes reunidas – Itália e Brasil possam se fundir em emoção única nas vertentes do Barroco, fazendo o espectador entregar-se a uma excepcional viagem no tempo, em que arte, 
originalidade e beleza unem-se num só movimento. 

Artistas ourives italianos como Domenico Antônio Ferro, Domenico Capozzi, Filippo Del Giudice, Tommaso Treglia, Michele Pane e muitos outros representam a arte em prata produzida em Nápoles. No século XVII, 70% da prata importada do Novo Mundo pela Espanha eram trabalhados em território napolitano e exportados para toda a Europa. A coleção, em sua maioria vinda do Museo del Tesoro di San Genaro, foi formada a partir de doações feitas por papas, imperadores, reis, rainhas e homens ilustres. 

Representando o grande momento artístico do ouro no Barroco brasileiro, esculturas de gênios da época, como Aleijadinho, Mestre Valentim e Mestre de Piranga, marcam presença na mostra, de modo a provocar um paralelo entre as duas culturas e um contraste entre dois momentos do Barroco. 

A exposição Barroco Itália Brasil – Prata e Ouro na Casa Fiat de Cultura é uma realização da Casa Fiat de Cultura, em parceria com a Base7 Projetos Culturais e Ministério da Cultura, com patrocínio da Fiat Automóveis e apoio do Banco Safra. 

Serviço:

De 10 de junho a 7 de setembro de 2014
Visitação: 3ª a 6ª das 10h às 21h | sábados, domingos e feriados das 14h às 21h
Entrada gratuita
Visitas orientadas para grupos e escolas: 31 3289-8900 e agendamento@casafiat.com.br
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG.
Telefone: (31) 3289-8900
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